Figas no Jornal de Notícias

Figas no Jornal de Notícias
Aquando da entrevista ao JN nos seus 120 anos.

Poder

Pensamento do Conde:
O poder não reside em quem pensa que manda mas sim em quem desobedece.

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

GELADO AMOROSO!...

GELADO AMOROSO
Se olho para ti e nada te digo
resta leres meu olhar,
é que eu
estando contigo nem consigo falar
e nem sei como começar,
mas a linguagem de que mais gosto
é quando a ti me encosto,
e sem te falar
me consegues entender!

Depois,
em ti encostado sou gelado a derreter,
que gostas de lamber,
de comer!..
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Autor deste original inédito:
Silvino Taveira Machado Figueiredo
(o figas de saint pierre de lá-buraque)
Sócio sa Sociedade Portuguesa de Autores nº 15727
Gondomar-PORTUGAL

sábado, 22 de novembro de 2008

UMA ESTRELA, UMA CONSTELAÇÃO!

É noite,
está escuro,
mesmo muito escuro!

Abro a janela,
nem uma estrela,
no céu não as há!

Fecho a janela,
deito-me na cama,
ela já lá está,
a meu lado,
toco-a,
o quarto fica iluminado!
que bela noite,
só com uma estrela!
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Autor: Figas de Saint Pierer de Lá-Buraque)
Gondomar-Portugal

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Bloguistas bem dispostos. Reunidos na Casa de Serralves!



quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Tudo em pé! - 20/11/2008

Espaço dum abraço,
que te enlaça,
que te rodeia a cintura,
olho,
mas não te vejo!
Cego pelo desejo,
caímos,
mas em nós tudo em pé!
Tudo pronto para a caminhada,
levantámo-nos,
seguimos!
De Figas de Saint Pierre de Lá-Buraque


Toca-me, apenas. - 20/11/2008

Não me ames,
toca-me, apenas,
beija-me, apenas,
e de mim brotará amor,
secarei tua sede,
depois segue teu caminho,
eu fico nas bermas,
a pedir sempre a alguém,
com sede d'amor,
beija-me,
toca-me, apenas,
não me causes dor!
De Figas de Saint Pierre de Lá-Buraque

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Velhice explorada

Velhice explorada
Neste mundo, cada vez mais materialista, em que o tempo é todo gasto para a obtenção das materialidades da vida: casa, carro, férias, fins-de-semana livres, etc, não sobra tempo, não querem ter tempo, detestam o tempo para estar e cuidar dos familiares, que os ajudaram a Ser , mas nem sempre a Crescer como um verdadeiro Ser humano!
Assim, logo que o valor da reforma e mais algum dê, os familiares vêem como bom investimento livrarem-se da companhia ou da obrigação de cuidar de quem os cuidou! Correm a colocá-los num lar com aquele “doce” consolo:
-“É um Lar com muitas boas condições!” E pronto. Desta maneira sossegam consciências, dormemtranquilos, alimentando a paz de consciência com visitas muito esporádicas.
Mas agora, com a crise, e como o orçamento vai ficando curto, surge a brilhante ideia:
-“E se fôssemos buscar o velhote ao Lar?. A reforma dele fazia-nos cá um jeitaço.
Boa ideia”
E eis o retornado, de volta, à mesa para comer uma sopinha, sózinho, fechado em casa, a vêr TV (quando há) até que os familares chegem a casa. Vem para casa, não para receber amor e carinho, mas para ser um embaraço, que se tem de aturar, senão lá se vai a reforma dele pró galheiro! Dos netos, já habituados a bater nos professores e a faltar-lhes ao respeito, e até a a bater nos pais, não pode esperar grande coisa, a não ser:
-“Ó velhote. Não tens aí umas moedinhas para eu curtir, meu?
E atenção. Não pode dar uma spatada no neto, senão vai três anos para a prisão!

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Encontro

Encontro

Aos encontros vão ilusões
Que outras vão encontrar
Todas juntam emoções
No sentir e desejar

Enquanto o encontro dura
Vai-se tecendo a amizade
Numa forte ligadura
Que dure a eternidade

Quem vai a um encontro
Também se quer encontrar
Seja em qualquer ponto

Mas tudo só faz sentido
Se com outro se encontrar
Se encontre também consigo

domingo, 16 de novembro de 2008




Morteiradas em Almourol!

Já adivinhava que algo iria correr mal ... e acabou mesmo!
Como gosto de fazer reportagens, e como colaboro para o jornal “O Criminoso” , pediram-me para fazer a reportagem do “3º Convívio dos Desabafantes e Bloguistas JN”.
Disfarçado de ceguinho, com grandes óculos escuros, e com o meu cão pastor Califa pela trela, lá me meti a caminho, via combóio, em demanda da arena do encontro. Digo arena, porque, segundo informações prévias, iriam acontecer actividades bélicas, com uma brigada estrangeira, do outro lado do Atântico, que viria impor a sua “ordem democrática” aos comunatugas e à turma do funil, assim apelidados!

Chegado ao Entroncamento, para despistar, rumei em busca de transporte fluvial pelo Tejo. Ainda tentei alugar um pequeno submarino, mas o Tejo tem pouca profundidade! Assim, aluguei uma pequena bateira, e lá fomos. Chegados defronte ao Soltejo: restaurante alcantilado na encosta, desembarquei, disfarçadamente, e comecei a deambular pelo jardim. Eu segurando o Califa e ele segurando a mim! Pelos óculos, vi que alguém, de binóculos, nos estava observando! Assim, para que não restasse dúvidas sobre a minha cegueira, preparei-me e....dei grande queda sobre a relva! Logo o Califa começou a ladrar, enquanto eu, às apalpadelas, fazia esforços para me levantar. Senti passos de alguém que se aproximava para me socorrer. Com a sua ajuda levantei-me.
-“Precisa mais de alguma coisa?”- perguntou.
-“Olhe. (isto era para ele, porque eu era ceguinho). Já agora, o senhor pode-me dizer onde fica o Soltejo? É que eu quero lá almoçar!
-“Pois não. Eu levo-o lá”.
Aceitei. O senhor apresentou-me ao gerente do restaurante. Disse-lhe que queria almoçar numa mesa, num canto, sossegado. Assim, arranjou-me uma mesa a um canto. Califa ficou deitado a meu lado, depois de ter bebido água das pedras, porque vinha enjoado, devido aos balanços fluviais! Para mim, pedi um café, dizendo que almoçaria mais tarde. Puxei por um livro, em braile, e fingi que lia!

Embora afastado, percebi que havia um pequeno grupo na sala, que falava inglês americano e também afrancesado. Ainda não eram onze horas, mas pareceu-me que estavam à espera d’alguém. A conversa era sobre temas bélicos. Aqui e acolá, apanhava palavras sobre armamento moderno. Cheguei mesmo a ouvir a palavra “granada diarreica”.
“Such a undeveloped country! Perhaps due to the number of blind men, as this one, sat here”. disse um, enquanto olhava a paisagem
Percebi que eram portugueses emigrados, porque, disse um deles:
“E se os comunatugas não vêm?” Tanto dinheiro que gastámos nas passagens!
São quase onze horas e eles sem aparecerem!
Meu cão estava a ficar muito nervoso. Eu estranhva.
-“Calma Califa, está quieto”, dizia eu, enquanto procurava passar-lhe a mão pelo lombo, para o sossegar, mas sem resultado!

De repente, soltou-se da minha mão, e de seguida ouvi o ranger duma saca pelo chão, e alguém dizer:
-“Leave it”, disse um. “Foda-se pró cão”, disse outro, lembrando-se de puro português para situações extremas. De súbito, pequenas explosões, tipo bombinhas de carnaval.
Rapidamente o ambiente ficou empestado dum cheiro insuportável, até porque todos os presentes, inalando aquele estranho gás, começaram com tosse convulsa intestinal, que mais parecia arremesso de granadas de artilharia dos cristãos contra os mouros do Castelo de Almourol. O gerente, de imediato chamou a polícia. Entretanto, apercebi-me que alguém entrou, dizendo que se chamava Mata e que tinha uma mesa reservada para um convívio.
É ele, pensei. Que não. Que não tinha chegado ninguém, mas que agora tinha que resolver aquela situação, disse o gerente. Realmente, vi que os clientes estavam todos a abandonar o local, devido à contagiante e geral tosse convulsa intestinal.
Vi o Mata afastar-se, puxar pelo telémóvel e falar com alguém.
Entretanto, a polícia, após umas perguntas, a que um respondeu que só queria pôr uns pontos nos is, outro dizia que aquilo era só poeira cósmica, enquanto outro dizia: “ God bless”.. (qualquer coisa) prendeu os donos da saca e partiram para a esquadra. Do carro da patrulha saíam estrondos, tipo morteirada, e um terrível cheiro, que queimava os arbustos da estrada à sua passagem! O gerente, em alta voz, perguntava quem é que iria pagar os prejuízos do dia? Não só os almoços perdidos assim como toda a desinfecção a fazer ao restaurante, devido àqueles estrangeiros, que tinham trazido aquelas bombinhas Ainda se fossem daquelas bombimhas de fazer só ah aha ah ah ah! . O Soltejo também tem quartos. De um deles um casal hóspede, estourando por todos os lados, saltou da janela, devido aos gases inalados, ferindo-se gravemente.

Eu, como eu estava protegido pelos meus grandes óculos, e também devido a uma constipação e estava a assoar o nariz, não foi muito afectado. Só um pouquinho! Apenas notei que comecei a andar mais rápido, porque parecia que tinha o turbo ligado! O Califa, esse já está habituado a maus cheiros humanos e tal situação passou-lhe ao lado.

Do Mata, dos comunatugas e da turma do funil perdi o rasto. Não sei se houve ou não convívio.Depois, passei pela esquadra, e soube que os americanos vão, possívelmente, ser processados por introdução de material bélico ilegal em Portugal e por homicídio involuntário, na forma tentada e por atentado terrorista químico!

Para compensar toda a minha frustração de não ter visto o convívio, fui até ao Castelo de Almourol e tirei algumas fotos! Na vinda do Castelo, encontrei um peregrino, quase cego como eu, que penosamente subia a escarpa!
-“Quer o meu cão?” Ofereci.
-“.Não. Obrigado. Cães há muitos. O que eu queria era apanhar o cão que me convidou para o convívio e não apareceu. Matava-o.”

Mais um descontente, pensei. Enganar os outros é o que está dar.

Nota do rerpórter. O director do “Criminoso” não me pagou as despesas, porque, disse ele, esta reportagem foi de merda, e ele não tinha culpa de eu também ter sido enganado! Resultado: despedi-me. Também vou pedir uma indemnização aos estrangeiros! Um milhão, pelo menos.
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Assina: Figas de Saint Pierre de Lá-Buraque ( um repórter falhado, sem emprego)