Figas no Jornal de Notícias

Figas no Jornal de Notícias
Aquando da entrevista ao JN nos seus 120 anos.

Poder

Pensamento do Conde:
O poder não reside em quem pensa que manda mas sim em quem desobedece.
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sábado, 26 de maio de 2012

Procura-me entre palavras

Procura-me entre palavras,


Eu ajudo-te.



Eu sou quem

Nos seus lábios tem desejos de beijos.

Procura-me.



Sou o que dos braços faz abraços.

Procura-me.



Sou o que só quer paz e não a guerra que se faz.

Procura-me.



Sou o que quer risos de crianças,

Que me dão esperanças,

O que à velhice deseja meiguice,

O que espera irisadas e brilhantes auroras

Cálidas tardes, brisas suaves

E poentes encantatórios!



Procura-me,

Mas rejeita as palavras do ódio,

Da hipocrisia, da corrupção e da inveja,

Mas pega nas de amizade e solidariedade.



Procura-me entre todas as palavras

Escondidas entre a poluição da incivilização.



Procura-me,

Como pescador de pérolas.

Mergulha fundo no meu mundo,

As palavras são meu encanto!



Por favor,

Quando encontrares minhas palavras

Cobre-me com uma:

com a palavra amor.



Mesmo que doutras insuficiente,

Com ela terei calor.

Dar-te ei um beijo… quente

E direi……………… obrigado.

Muito obrigado.



Cobriste-me

Com o manto do encanto das palavras!

Estou encantado.

…………..xxxxxxxxxx……………………….

Autor deste original: Silvino Taveira Machado Figueiredo

(Figas de Saint Pierre de Lá-Buraque)

Gondomar

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Poema de mim fugido!

De mim


O poema anda sempre fugido!



O poema sobe à cerejeira,

Pousa na margarida,

Eu sempre de mão estendida!



Anda poema, pousa em mim,

Ó pousas!



O Poema pousa no alecrim,

Na magnólia,

Na laranjeira,

Na figueira!



Bem o quero agarrar,

Mas não,

O poema é mesmo assim:

Sempre a voar de mim

Com asas do meu coração!

Onde irá pousar?



Espero,

Numa espera sem fim!



A espera valerá a pena.



Hei de ter o poema.



Qual o perfume?

De todo um jardim!



Depois,

Se o poema de mim fugir,

Se de mim voar,

Vai perfumar o ar!

……..xxxxxxxxx………

Autor: Figas de Saint Pierre de Lá-Buraque

Gondomar

sábado, 6 de março de 2010

"Poesia em Gondomar"

Convidado pela ARGO(Associação de Artistas de Gondomar) o Figas de Saint Pierre de Lá-Buraque, que é o Silvino Figueiredo, fará uma palestra sobre "a Poesia em Gondomar", no dia 17 de Março (Quarta-Feira) na Sede da Argo, em Fânzeres, pelas 21h30. Durante a palestra ocorrerá leitura/declamação de poemas de autores gondomarenses e outros.
Entrada livre.

domingo, 9 de novembro de 2008

PROCURA
Sei que estás a meu lado,
Mas pôe tua mão sobre meu corpo,
Pousa-a em qualquer lado,
Na tua mão quero sentir teu coração,
Deixa que uma estrela a guie até ao almejado,
Até ao meu presépio!
Talvez até digas uma oração,
Nada receias
No teu templo sempre aberto!

Tua mão é afecto!
É movimento eléctrico!
Deixa que uma estrela a guie até ao meu presépio,
Ao encontro das palhinhas!
Não desistas de procurar,
Procura,
Procura entre perninhas,
Um coração a saltar!
.........XXXXXXXX..................
Autor deste inédito:
Silvino Taveira Machado Figueiredo
Gondomar

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

TERROR E AMOR!

A noite é noite
simplesmente
vestida de negro
de sombras!

Àrvores
vales e montes escondem-se
fecham-se!

Meus passos
guiados por um carreiro pedregoso
entram cada vez mais fundo
no desconhecido abismo!

Nada vejo
mas sinto o mato lateral
que alto e espinhoso me roça as pernas
balizando minha cautelosa marcha
contra qualquer passada falseada.

Arrepiantes pios de mocho ecoam
lânguidamente fúnebres
por entre as árvores!

Sigo tacteando o carreiro
pelo meio da floresta.

É noite de lua nova
o terreno desce
em declive acentuado.

Minha alma
fremente
sente a tragédia
de quem vai para mortal cova.

Continuo
devagar
a descer
firmando os calcanhares em cada passada.

O vento zumbe e silva
oiço o ranger das árvores e das pinhas
que se despreendem
uma passou-me
de raspão por uma orelha!

Escuto um barulho
serão vozes?
não
é água que corre!

Chego à margem do pequeno riacho
os choupos vergam-se sobre o leito
em furiosas vénias
a corrente é invernosa
arrastam pedras
que rolam
e batem de margem a margem!

Ali fiquei
especado
como numa paragem de transporte!

Como atravessar aquele líquido muro
forte e ruidoso
a caminho duma longínqua e mansa planície?

Talvez que
o pequeno riacho
à luz do dia fosse mais manso
mas
àquela hora
às duas da madrugada
ali estava eu
petrificado
como alma penada
de regresso da casa da minha namorada!

Noite de tempestade
já relampejava
trovões já se ouviam!

De repente
num clarão dum relâmpago
vi árvores refulgentes
em formas de gente
pura ilusão
todavia
sinto mais um aperto no coração
vou engolindo em seco
com tanta água à vista
mas atravessar é preciso.

Com o vento
cada vez mais forte
mais os choupos se vergam!

Entre um clarão
vejo onde ponho os pés
sobre uma pedra
na água mais saliente.

Enquanto não vem outro relâmpgo
fico ali
empoleirado
no meio da corrente
imaginando-me um Neptuno fluvial!

Por ali
o caminho era metade
mais perto
mas quase que não compensava.

Por todo o lado
parecia ver almas do outro mundo
os quartos de horas batiam nas torres das igrejas
e aquela noite de Inverno
que já mais forte trovejava e chovia
me parecia uma amostra do Inferno!

A noite era mais densa
tensa
num contínuo e impenetrável muro
de escuridão absoluta!

De repente
quase que de sopetão
surge um vulto em sentido oposto
seria uma sombra
com pernas?
não
era um ser humano
um homem!!!
afinal
não estava só!

No momento do cruzamento
senti-me acompanhado por mil companhias!

Noite era só noite
mas aquele outro ser
era já para mim um sol
era a luz do dia!
salvámo-nos
o trovão não abafou nossa voz.

Ambos seguimos a caminho de casa
também ele
talvez
de regresso da namorada
com o coração quente
ou em brasa
que resistia à chuva
que nos fustigava o corpo e a mente!

Finalmente cheguei à estrada
para trás ficaram a floeresta
o matagal
reino de almas penadas
associadas ao Mal

O pio dos mochos já não os ouvia!

Por mim
já passavam carros
com faróis incandescentes
e eu já via gente.

Eu seguia
a pé
minha viagem
só a tempestade me acompanhava
e com ela cheguei a casa
todo molhado e encharcado!

Deitei-me
ainda acordado ouvia o roncar do trovão
mas
agora o temporal já estava fora
mas eu sofria
por dentro de meu coração.

Tinha chegado da namorada
mas todo o terror
toda a água da tempestade
não tinham apagado a marca do meu amor
que é uma chama
um fogo
que em mim
neste resto da noite
ainda arde!

Nenhum terror mata o amor!
Boa noite.
..................xxxxxxxxxxxxxxxxxx...............
Autor: Silvino Taveira Machado Figueiredo
(o figas de saint pierre de lá-buraque)
Nota do autor: Este texto foi publicado no
Jornal de Notícias em 2 de Abril de 1995,
página 429

terça-feira, 2 de setembro de 2008

TARDE DO CEDO

TARDE DO CEDO

A tarde é cedo,
não tarda que tarde
vento quedo
e fogueira que arde!

A noite é cedo,
estrelas no alto,
a aurora,
da noite com medo
dela deu o salto!

Cedo é manhã,
o Sol se levanta,
com ele muito se faz,
e no final talvez a janta!

Mas,
no final de tarde
ainda muito se amanha
e na noite talvez a fogueira,
que depois de ardida,
só cinza se apanha!
...................xxxxxxxxxxxxxxx.................
Autor: Silvino Taveira Machado Figueiredo
(Figas de Saint Pierre de Lá-Buraque)

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

Parecido com meu pai

PARECIDO COM MEU PAI

“Estás a ficar parecido com teu pai”,
disseram-me.

Oxalá.

Quem me dera ser como ele:
Sorridente
Bonacheirão
E com a vida sempre contente!

Gostava muito de ler
Embora um pouco distraído
Mas amigo do seu amigo!

Quem me dera ser como ele
Ou que ele estivesse comigo.

Agora
Com ele um pouco mais parecido
Acho que
Lembrando-me dele
-como todos os dias me lembro-
Ser como ele consiga
Nos dias que vou vivendo.

Para já
Leio mais um livro
Depois
Talvez com meus netos vá brincar.

Meu pai era como uma criança
Também tenho essa esperança
De ser como ele perante o Mundo.

Eu até já sei chorar!
...................xxxxxxxxxxxxxxxx..........
Autor: Silvino Taveira Machado Figueiredo
(Figas de Saint Pierre de Lá-Buraque)

terça-feira, 12 de agosto de 2008

MARGARIDA

Margarida fez um ano de vida
Na vida já dá pequenos passos
Vida que se deseja comprida
Cheia de ternura e de abraços

Margarida, doce Margarida
Quem por ti muito chama
Chama um amor de rapariga
E felicidade para quem a ama

Um ano é só um começo
Mas esperam-se muitos mais
Para uma jóia sem preço
Que brilha ao peito dos pais

Margarida é como um sol
Que nos dá luz todo o dia
É como um poético lençol
Que nos cobre com alegria
...........xxxxxxxxxx...........
Autor: Figas de Saint Pierre de Lá-Buraque

DO MUNDO ALMIRANTE

Olhando o mar
Sente-se o Infante
Num sonho de majestade
Sonhado num instante
De alargar a humanidade

Caravelas foram ao mar
Na busca do real do sonho
E acabaram por provar
Que o mundo era redondo

Capitães viram céus e infernos
Muitas vidas se perderam
E muitas naus pereceram

Portugal não mais foi pequeno
Graças ao sonho do Infante;
Do mundo um Almirante
............xxxxxxxxxxxxxx.........
Autor: Figas de Saint Pierre de Lá-Buraque

Busca

Ai esta mania de escrever
De me explorar
Se ao menos me pudesse ler
Se ao menos me pudesse encontrar

Em cada dia um novo tempo
Em cada dia um novo ser
Cada dia é novo fermento
Para pão fresco fazer

À minha volta tudo muda
O mundo roda
Para que outros mundos se descubra!

Nesta viagem sem fim
Entrei numa carruagem
Para ver se me descubro
..............A mim!
.............XXXXXXXXXXXXXXX..............
Autor: Figas de Saint Pierre de Lá-Buraque